
"Por que deixar bom o que pode ficar excelente?"
Com esta frase, a atriz Renata Dominguez resume seu jeito e estilo de viver e pensar. Não é pra menos. Com 28 anos, é natural do Rio de Janeiro e tem uma bagagem pra lá de interessante: de apresentadora no Equador a atriz de sucesso nas maiores emissoras brasileiras e teatros. Mas o que impressiona é a sua clareza e articulação, sem deixar de lado a meiguice e o romantismo de uma pisciana.
"Tudo o que eu quero é ser uma atriz respeitada e chegar ao fim da vida podendo dizer 'eu fui uma na multidão'! Nessa profissão, você escolhe ser atriz ou ser famosa. Ser famosa não é sinônimo de ser boa atriz. A fama é apenas uma conseqüência da profissão. Estamos na era das celebridades e as pessoas querem se promover a qualquer custo, só que a vida de ninguém é interessante a ponto de ter um evento por dia para ser divulgado. O público se cansa mais cedo ou mais tarde. É inevitável. É um processo seletivo mesmo. As atrizes que perpetuam são os exemplos a serem seguidos, são as minhas referências, como Marília Pêra, Fernanda Montenegro, Laura Cardoso, etc. É gostoso sentir o retorno, mas não viso a ser famosa. Quero que minhas personagens sejam amadas, odiadas, engraçadas, ridículas, maus exemplos, cobiçadas, desprezadas... Quero sentir todo tipo de resposta do público ao longo da minha carreira", conta a atriz.
Mas bagagem é o que não falta para a jovem. Renata foi para o Equador aos 12 anos de idade. A primeira providência, ao chegar a Guayaquil, foi matricular-se numa academia de dança, cuja dona era apresentadora de televisão. Dois meses depois, ela a convidou para fazer um teste na Ecuavisa. A escolheram pra ser a apresentadora de um programa de games juvenil. Durante um ano ela se preparou, fazendo cursos intensivos de espanhol, dicção, interpretação, improvisação e canto, e o seu primeiro programa, Barra Libre, foi ao ar um ano depois (1993), na Ecuavisa. Durante 8 anos, apresentou seis programas e trabalhou em três emissoras diferentes. Experimentou até ser "cantora". Gravou algumas músicas e fez turnê pelo país. "Gostaria de voltar a apresentar, desde que eu pudesse conciliar com as gravações das novelas", insinua Renata. Quando ela terminou o segundo grau, surgiu um impasse: estudar na Universidade de Los Angeles, renovar o contrato de três anos na TV equatoriana ou voltar para o Brasil e recomeçar do zero. "Como meu pai não ficaria muito tempo mais no Equador, voltei para o Brasil pelo simples fato de não pretender morar sozinha. Não tenho vocação para isso. Sou muito apegada à minha família". Então, ela fez prévestibular e passou para Arquitetura. Na mesma época, ela entrou no Teatro Tablado para ter uma válvula de escape. Mas a história inusitada do Equador aos poucos se espalhou, a Globo a convidou para um teste e ela foi escalada para fazer a Solene, em Malhação.
| "As boazinhas e as más são grandes desafios. Agora, como telespectadora, eu prefiro as vilãs. Apesar de torcer sempre pela mocinha. |
Atualmente, ela vive Valquíria, a vilã de Amor e Intrigas, novela da Rede Record que disputa de frente com o a sua maior concorrente e tem alcançado picos de audiência notórios, chegando, inclusive ao primeiro lugar. Como ela própria conta, a antagonista transita apenas no lado escuro do ser humano, e ela não aponta nenhuma motivação em comum.
Apesar de torcer sempre pela mocinha. A gente sabe que a vilã vai aprontar e que a mocinha vai ser a vítima, vai sofrer e vai perdoar ou entender. A incógnita é a armação, é não saber qual será o próximo golpe. É isso que prende um telespectador. O que me atrai como telespectadora é a imprevisibilidade da vilã. Mesmo assim, torço pela vitória do bem sempre, claro. É importante que o bem vença para servir de exemplo. Até porque o que vem acontecendo ultimamente é preocupante. O público vem consagrando os vilões de uma forma assustadora, por serem personagens que driblam as dificuldades e se dão bem. Está faltando discernimento! Isso é reflexo da inversão de valores e da falta de ética e de limite da nossa sociedade", diz Renata.
Edição e texto: Bete Monta/ Fotos: Rodrigo Lopes/ Produção: Luciana Pissinate e Cláudio Marra/ Arte: Angela C. Houck